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A OBSERVAÇÃO DA PREFERÊNCIA ALIMENTAR COMO INSTRUMENTO DO BALANCEAMENTO NUTRICIONAL EFETIVO DE UM LOBO GUARÁ (Chrysocyon brachyulus).

Autores
Luis Alves Mourão2
Valter U. Cromberg1 – 2 – e-mail: valcromberg@ig.com.br
Eliana F. Santos2
Paulo A. N. Felippe2

Instituição
1. Grupo de estudos e pesquisa em etologia e ecologia
2. Zoológico de Campinas – Bosque dos Jequitibás

A dieta para um lobo-guará do zoológico de Campinas foi balanceada com base em estudosde ecologia alimentar desta espécie em vida livre (Proteína 20%; M. seca 17%; E..etéreo 9%;Fibras 7%; E. não nitrogenado 59,33%; Energia metabolizada 5.000 Kcal). A introdução de uma dieta balanceada, que supra as quantidades de nutrientes de forma a atender as exigências nutricionais dos animais, está corretamente associada a um melhor estado orgânico e a uma melhor qualidade de vida dos indivíduos que a utilizam, entretanto, observações continuadas mostraram perdas nestes parâmetros (peso, presença de ectoparasitas, etc.) com relação ao animal em foco. O controle de consumo da ração, através da comparação do alimento de entrada e de saída após
24 horas, não indicou problemas de consumo. Visando reverter o quadro apresentado pelo animal, observamos a estratégia de ingestão do alimento ofertado verificando que (a) outros animais compartilhavam a dieta ofertada e que, portanto, estava ocorrendo um baixo consumo, apesar dos alimentos utilizados serem os tradicionalmente oferecidos a esta espécie, e (b) o animal observado apresentou nítidas preferências alimentares em relação ao tipo de alimento e as quantidades ingeridas; (c) verificou-se ainda as durações e características dos surtos de alimentação. Esta observação fortalece a necessidade da introdução de parâmetros psicológicos na ciência da nutrição, notadamente nos animais silvestres em cativeiro. Os fatores metabólicos ou fisiológicos não agem sozinhos, em qualquer tentativa para entendermos a preensão de alimentos ou a fome é necessário considerar a influencia do reforço positivo ou negativo da palatabilidade da comida, o ambiente e em alguns casos as interações sociais do comer. O animal come não porque está interessado em repor os déficits acumulados, mas porque ele antecipa o prazer de ingestão e
assim evita totalmente os déficits alimentares (Epstein, 1983).