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CUIDADOS
ALIMENTARES ASSOCIADOS A TERAPIA INTENSIVA EM TAMANDUÁ-MIRIM ( Myrmecophaga
tetradactyla) RECÉM-NATO
RELATO DE CASO.
Autores
Maria Emília Santiago1 e-mail: milasantiago@mila.vet.br
Neide Mariko Tanaka2 e-mail: nmtanaka@onda.com.br
Flávia Regina Miranda3 e-mail: flaviamiranda@yahoo.com
Instituição
1. Médica Veterinária do Zoológico Municipal de Bauru,
Bauru/SP
2. Professora do Curso de Medicina Veterinária, Universidade Tuiuti
do Paraná-UTP, Curitiba/PR
3. Estagiária do Departamento de Patologia, Curso de Medicina Veterinária,
FMVZ-USP
O sucesso
na adaptação de animais silvestres recém-natos de vida
livre no dia-a-dia é fator fundamental no processo de preservação
de espécies em extinção. Os cuidados na alimentação
e terapia intensiva frente a situações críticas são
importantes para assegurar a sua sobrevivência.Relata-se um caso de
Tamanduá-Mirim ( Myrmecophaga tetradactyla) resgatado pela polícia
florestal
na região de Bauru-SP o qual foi encontrado agarrado à mãe
atropelada. O filhote apresentava cordão umbilical úmido e
olhos fechados, sugerindo que o nascimento tenha ocorrido entre 5 a 10 dias
antes de ser encontrado. Nos 3 primeiros dias não aceitou amamentação
artificial com mamadeira, recebendo alimentação via oral por
gotejamento de 1 a 3 ml de leite de vaca através de sonda uretral
a cada 2 horas. Após o terceiro dia, começou a mamar sozinho,
o consumo foi gradativamente aumentando de 3 ml a cada 2 horas, na segunda
semana passou para 5 ml e na terceira 9 ml e em um mês mamava 45 ml.
Seu peso inicial era de 210 gramas, 600 gramas no 45o dia e num período
de 4 meses chegou a 4,5 kg. Subitamente foi encontrado caído de costas
com dificuldade respiratória. Foi medicado com dexametasona 0,5 mg/kg
e atropina na dose de 0,04 mg/kg subcutaneamente, suspeitando de intoxicação.
Também a suspeita de edema pulmonar foi considerada e iniciou-se
a aplicação de furosemida 1 mg/kg e oxigenioterapia. Dosagens
séricas bioquímicas de uréia, creatinina, sódio,
potássio, fosfatase alcalina, bilirrubina, transaminase e proteina
foram realizadas. Observou-se leve aumento do nível de proteína
sem outras alterações significativas. Ao exame radiográfico
constatou-se ascite e edema pulmonar. Nas primeiras 24 horas apareceram
manchas avermelhadas no membro anterior direito, membro posterior direito
e região dorsal. Diagnosticado deficiência em vitamina K comum
em Tamanduás. A terapia com vitamina K e antibioticoterapia com enrofloxacina
na dose de 2 mg/kg. Ocorreu necrosamento das áreas avermelhadas de
aproximandamente 5 cm os quais foram tratadas como ferida aberta com povidine
tópico e própolis local. O tratamento com vitamina K passou
a ser administrado pela via oral após o quarto mês. Conclui-se
que a terapia frente a este caso foi conduzida satisfatoriamente tendo em
vista o estado em que se apresentava quando foi resgatado.