|
|
RECINTO DE LONTRAS PARA VISITAÇÃO PÚBLICA E PESQUISA. UMA PROPOSTA.
1O. Carvalho-Junior; 1Nancy Banevicius; 1Evandro Mafra; 2Valeria Andreatta Carvalho 1UNIVALI/CTTMar, Laboratório de Planejamento e Manejo de Unidades de Conservação 2Arquiteta e urbanista UNERJ/Centro Universitário de Jaraguá
Introdução:
A Lontra longicaudis
é um carnívoro de hábito aquático, pertencente
à família Mustelidae, sendo considerada espécie ameaçada
de extinção pela CITES (Convention on International Trade
in Endangered Species). As lontras são encontradas em águas
interiores (rios e lagos), como também estuários, manguezais
e enseadas marinhas. Sua dieta alimentar é constituída principalmente
de peixes e crustáceos (Carvalho Junior, 1990). O presente trabalho
é uma proposta para criação de um recinto de lontras
em cativeiro. A proposta tem como principal intenção o uso
combinado da pesquisa em vida livre aliada ao estudo em cativeiro. Esta
representa uma proposta preliminar baseada em anos de estudo, pelo Projeto
Lontra - CTTMar/UNIVALI, no Estado de Santa Catarina. Cerca de 15 tocas
em 5 locais diferentes tem sido analisadas em detalhe desde 1999. Lagoa
do Peri, Praia dos Naufragados e Lagoinha do Leste, na Ilha de Santa Catarina,
além da Ilha de Porto Belo em Porto Belo e Morro dos Macacos em Camboriú,
delimitam a área de estudo.
Objetivos:
· Adequar os recintos de Lontra longicaudis seguindo as características das tocas encontradas em ambiente de vida livre.
Materiais & Métodos:
Desde o ano de 1999,
quinze (15) tocas foram descritas em detalhe, considerando o conforto interno
e a análise do habitat ao redor. Foram considerados: a cobertura
vegetal e sua importância no controle da temperatura, distância
da água, tipo de formação geológica, temperatura
da toca, do ar e da água.
Resultados:
Os resultados são combinados aqui, de forma a demonstrar que um ambiente artificial de lontra pode ser feito o mais próximo possível do ambiente original. As tocas foram encontradas próximas à água, possuíam várias entradas, por terra e subaquáticas, e várias câmaras interligadas. A vegetação do entorno estava intimamente ligadaà estrutura geológica. A organização espacial da proposta de um recinto de lontras é mostrada e discutida, baseada em parâmetros ecológicos, conforme figura abaixo.

Figura 1. Planta do recinto apropriado para Lontra longicaudis.
Conclusão:
Quanto mais confortável for um ambiente, melhores serão os resultados, especialmente aqueles relacionados com comportamento. Na maioria das tocas foi observada uma grande interação entre a estrutura geológica e a vegetação. Isto resulta em um ambiente protegido contra as intempéries, ajudando a regular a temperatura e luminosidade interna. Desta forma, a vegetação funcionaria como tampão da temperatura, mantendo esta praticamente constante no interior da toca, atuando como isolante térmico, mesmo no período mais frio (inverno). Portanto, a presença de vegetação, para a manutenção da temperatura interna, sua proximidade à água e a presença de entradas subaquáticas, são fatores importantes para a utilização de um habitat pela lontra.
Referência:
CARVALHO JUNIOR, O. (1990). Aspectos da autoecologia de Lutra longicaudis (Olfers, 1818) no ecossistema da Lagoa do Peri, SC, Brasil. Florianópolis, 89 p. Tese de Dissertação em Hidroecologia - Departamento de Biologia, Universidade Federal de Santa Catarina.