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ESTUDO PRELIMINAR DA AVIFAUNA AQUÁTICA DO
PARQUE ECOLÓGICO DO TIETÊ, SÃO PAULO-SP.

Karlla Vanessa C. Barbosa ¹, Gabriel Henrique M. Cardoso ².

¹ Universidade Cruzeiro do Sul, estudante, São Paulo- SP , Fone: (11) 6541-9481. e-mail: karlla_bio@yahoo.com.br.

² Parque Ecológico do Tietê, biólogo, setor CRAS, São Paulo-SP, Fone: (11) 6958-1477 ramal 2627. e-mail: gabriel_bio@hotmail.com.

Introdução

O Parque Ecológico do Tietê (PET) foi criado em 1976, e inaugurado em 1982, com a finalidade de preservar as várzeas do rio Tietê e combater, juntamente com outras obras, as enchentes da Grande São Paulo. Localizado na Zona Leste da cidade de São Paulo, é provido de alguma vegetação exótica e espécies nativas plantadas, animais silvestres residentes e migratórios. A água que se integrou a esse ambiente permiti o aproveitamento dos afluentes do rio, por várias espécies de peixes, aves e outros animais que vivem às margens de rios e lagos, tendo o local importante papel na conservação de espécies nativas, também como, é um local de lazer para a comunidade, já que a mesma não dispõe de muitas área verdes. (DAEE, 2004).

O presente trabalho é resultado de observação das espécies de aves que são encontradas nas águas do parque ou ao redor delas, ou seja, que dependem da presença dos rios e lagos para sobrevivência, sendo aqui consideradas aves aquáticas. (SICK, 1997). Os estudos de avifauna, em diversas áreas de remanescentes vegetais e também reflorestadas têm sido feitos por diversos autores (WILLIS, 1979; SILVEIRA ED'HORTA,2002) os quais fornecem subsídios importantes para as propostas de conservação dos recursos naturais e educação ambiental.

O PET recebe mensalmente cerca de quarenta mil visitantes, que além do lazer procuram a integração com o meio ambiente em seu estado um pouco mais natural.

Objetivo

O trabalho tem por objetivo o estudo da avifauna aquática no Parque Ecológico do Tietê, gerar fonte de dados para a elaboração de um plano de manejo (reabilitação e reintrodução) de aves aquáticas que são capturadas ou resgatadas no Estado de São Paulo.

Há também a intenção de propostas que possa auxiliar na prática de observação de aves como atividade de educação ambiental.

Metodologia:

Para o inventário da fauna foram utilizadas observação direta, nas margens do rio Tietê e a beira de lagos do PET, foram utilizados registros com câmera fotográfica digital. A identificação visual teve auxílio de binóculos (Nikon Travelite III, 10x25 CF). Para a identificação das espécies é utilizada a comparação com guia de campo (DEVELEY E ENDRIGO, 2004), também dados de biologia e distribuição geográfica (Sick, 1997). A presente pesquisa teve início em novembro de 2004 e esta em andamento. As visitas para coleta dos dados ocorrem duas vezes por semana, sendo essas no período diurno e noturno (6h00 a 20h00). Também foram relatadas observações do publico visitante e dos Técnicos do Centro de Recepção de Animais Silvestres, como fontes de dados para espécies que já foram observadas no Parque.

Resultados

As aves observadas no Parque Ecológico do Tietê representam à importância da conservação de fragmentos de mata, principalmente com ambientes aquáticos, como a várzea do rio Tietê, que oferece nichos específicos para espécies de aves aquáticas.

Foram realizadas 25 visitas a campo sendo registradas 30 espécies de aves divididas em 15 famílias. A análise dos dados foi dividida em categoria e período. A categoria é referente à residência do animal, isto é os animais que foram observados em todos os períodos são considerados residentes do Parque, animais que foram encontrados em um determinado tempo e que realizam migração são considerados migratórios, a freqüência dos animais indica quanto a quantidade de observações, aves com alta freqüência são aquelas que foram observadas em mais de dez levantamentos e com mais de um registro por dia de pesquisa, a baixa freqüência caracteriza as aves que existem no ambiente com até cinco registros, a freqüência relativa é para animais que possuem muitos registros mas não existem em abundancia no ambiente.(tabela 1).

Tabela 1 - Lista e dados biológicos das aves aquáticas observadas no Parque Ecológico do Tietê, pesquisa realizada entre novembro de 2004 á junho de 2005. (Gabriel e Karlla, 2005).

FAMÍLIA

ESPÉCIE

CATEGORIA

PERÍODO

Família Podicipedidae

Mergulhão ( Podilymbus podiceps )

Residente com baixa freqüência

Família Phalacrocoracidae

Biguá ( Phalacrocorax brasilianus )

Residente com alta freqüência

Família Anhingidae

Biguatinga ( Anhinga anhinga )

Residente com alta freqüência

Família Ardeidae

Socó-Grande ( Ardea cocoi )

Residente com baixa freqüência

Garça-Branca-Grande ( Casmerodius albus )

Residente com alta freqüência

Garcinha-Branca ( Egretta thula )

Residente com alta freqüência

Socozinho ( Butoroides striatus )

Residente com freqüência relativa

Maria-Faceira ( Syrigma sibilatrix )

Residente com freqüência relativa

Garça-dorminhoca ( Nycticorax nycticorax )

Residente com alta freqüência

Socó-Boi-Ferrugem ( Tigrisoma lineatum )

Residente com baixa freqüência

Família Anatidae

Marreca-Peba ( Dendrocygna bicolor )

Migratório com alta frequencia

novembro/junho

Irerê ( Dendrocygna viduata )

Migratório com alta frequencia

novembro/junho

Marreca-Cabocla ( Dendrocygna autumnalis )

Migratório com frequencia relativa

novembro/dezembro

Marreca-Ananaí ( Amazonetta brasiliensis )

Residente com freqüencia

Pato-do-Mato ( Cairina moschata )

Migratório com alta freqüência

novembro/maio

Família Accipitridae

Gavião-Caramujeiro ( Rostrhamus sociabilis )

Residente com frequencia relativa

Família Aramidae

Carão ( Aramus guarauna )

Residente com alta freqüência.

Família Rallidae

Saracura-Três-Potes ( Aramides cajanea )

Residente com baixa frequencia

Saracura-do-brejo ( Aramides saracura )

Residente com baixa frequencia

Galinha-D'agua ( Gallinula chloropus )

Residente com alta freqüência

Frango-D'agua-Azul ( Porphyrula martinica )

Residente com baixa frequencia

Família Jacanidae

Jaçanã ( Jacana jacana )

Residente com alta freqüência

Família Scolapacidae

Narceja-Comum ( Gallinago Paraguaiae )

Migratório com baixa freqüência

novembro/dezembro

Família Recurvirostridae

Perna-Longa-Comum ( Himantopus-Himantopus )

Migratório com baixa freqüência

dezembro

Família Alcedinidae

Martim-Pescador-Grande ( Ceryle torquata )

Residente com alta freqüência

Martim-Pescador-Verde ( Cloroceryle amazona )

Residente com alta freqüência

Família Furnaridae

Curutié ( Certhiaxis cinnnamomea )

Residente com alta freqüência

Família Tyrannidae

Lavandeira-Mascarada ( Fluvicola nengeta )

Residente com alta freqüência

Freirinha ( Arundinicola leucocephala )

Residente com frequencia relativa

Família Icterinae

Garibaldi ( Agelaius ruficapilus )

Residente com frequencia relativa

Conclusão

O PET é um local onde podemos encontrar cerca de 95 espécies de aves sendo 31 % aves aquáticas, demonstrando assim a importância de um dos maiores ambientes aquáticos para estas aves na cidade de São Paulo.

Referencias bibliográficas

 

DEVEELEY, P.F. e ENDRIGO, E. Guia de campo Aves da Grande São Paulo . São Paulo: Aves e Fotos Editora, 2004.

SICK, H. Ornitologia Brasileira , 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

WILLIS,E.O. The composition of avian communities in remanescent woodlots in southem Brazil. Papéis Avulsos de Zoologia , São Paulo, 33:1-25,1979.

Departamento de Águas e Energia da SECRETARIA DE ENERGIA, RECURSOS HÍDRICOS E SANEAMENTO (DAEE): www.daee.sp.gov.br/parques/ Acesso em: 08 nov 2004.