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ESTUDOS CROMOSSÔMICOS EM AVES DO PARQUE ECOLÓGICO DE SÃO CARLOS (SP)

Lincoln-Carvalho, C.R. 1 ; Corrêa, T.C. 2; Francisco, M.R. 1 ; Galetti Jr., P.M. 1

 

1- Departamento de Genética e Evolução, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

2- Departamento de Ciências Exatas e Naturais, Centro Universitário de Araraquara – UNIARA.

lincolncarvalho@hotmail.com

INTRODUÇÃO

O Brasil, que possui uma das avifaunas mais ricas e diversificadas do mundo, também é considerado o país com a maior lista de aves ameaçadas de extinção. As possíveis causas para esse declínio são problemas como desmatamento, fragmentação de habitats naturais, caça indiscriminada e tráfico ilegal de animais silvestres.

Procedimentos citogenéticos têm demonstrado que polimorfismos cromossômicos podem ocorrer em diversos organismos. Quando essas variações intraespecíficas são postas em contato nas populações cativas, podem resultar na produção de híbridos inviáveis.

A família Psittacidae é o grupo que representa mais de 9% das aves brasileiras ameaçadas de extinção. Por isso, existe um grande interesse em reproduzi-los em cativeiro. No entanto, variações cromossômicas já foram encontradas nos gêneros Forpus e Pyrrhura. Uma segunda dificuldade encontrada para a formação de casais, não apenas dos psitacideos, mas também de aves de outros grupos, como Ramphastidae, é a ausência de dimorfismo sexual fenotípico aparente. Nesse caso, as análises cariotípicas oferecem uma maneira segura de sexagem através da identificação dos cromossomos sexuais. O método de polpa de penas em crescimento, utilizado nesse trabalho, possui a vantagem de não trazer riscos de morte ao animal, além de ser de baixo custo e poder ser empregado à maioria das aves.

Diante disso, zoológicos e criadouros conservacionistas têm necessidade de um monitoramento cariotípico, visando o sucesso da manutenção das espécies raras. Uma última alternativa para a conservação dessas espécies são os programas de reprodução em cativeiro, que podem garantir estoques de indivíduos para futuras reintroduções na natureza.

OBJETIVOS

Esse trabalho teve como objetivos a sexagem e o monitoramento cariotípico das aves do Parque Ecológico de São Carlos (SP), possibilitando a formação de casais em programas de conservação.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram estudados três indivíduos pertencentes à família Psittacidae ( Amazona amazonica, n = 1; Ara macao, n = 2) e um da família Ramphastidae ( Ramphastos toco , n = 1) (FIGURAS I a III). Para a análise citogenética das aves foram obtidas células em divisão segundo a técnica descrita conforme GIANNONI et al. (1993), com modificações. A coloração dos cromossomos mitóticos foi realizada segundo o método convencional Giemsa.


FIGURA II. Amazona amazonica

FIGURA I. Ara macao

 

FIGURA III. Ramphastos toco

 

 

RESULTADOS

Nas figuras IV à VI são mostrados os cariótipos dos indivíduos estudados. No exemplar de R. toco observou-se o par sexual ZZ, subtelocêntrico, com seu tamanho em conformidade ao primeiro par autossômico, que é metacêntrico. Já os cromossomos restantes são telocêntricos e decrescentes em tamanho. Essa espécie possui o número diplóide, aproximado, em 114 cromossomos.


FIGURA IV. Cariótipo de R. toco

FIGURA VII. Cariótipo de A. amazonica

FIGURA VI. Cariótipo de A. macao

FIGURA V. Cariótipo de A. macao

O indivíduo de A. amazonica foi sexado como macho. O padrão morfológico do cromossomo sexual Z obedeceu aos cariótipos já descritos, apresentando-se metacêntrico, com tamanho relativo ao quarto par. Em relação aos cromossomos autossômicos observou-se o 1º par telocêntrico, 2º e 3º pares subtelocêntricos, 4º par submetacêntrico; 5º, 6º e 7º pares telocêntricos e 8º par metacêntrico. O número diplóide para essa espécie é aproximadamente 70.

Com a análise dos cariótipos dos dois indivíduos de A. macao foi possível a formação de um casal. Nos cariótipos foram observados os cromossomos sexuais Z e W metacêntricos, referentes ao quarto e oitavo par, respectivamente. A morfologia dos macrocromossomos restantes varia desde metacêntricos (1º, 7º ao 9º pares) até subtelocêntricos (2º ao 6º pares). Já os microcromossomos são acrocêntricos. O número diplóide comum para essa espécie é estimado em 70.

Em nenhuma das espécies estudadas foram identificados heteromorfismos que pudessem comprometer seu sucesso reprodutivo.

DISCUSSÃO

Assim, os resultados aqui encontrados estão auxiliando no manejo e na formação de casais, contribuindo para o sucesso da reprodução em cativeiro desses animais. Isso cria possibilidades para a criação de futuros planos de recuperação dessas aves.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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LUNARDI, V. O.; FRANCISCO, M. R., ROCHA, G. T., GOLDSCHMIDT, B. e GALETTI, P. M. (2003) Karyotype description of to Neotropical Psittacidae species: the endangered Hyacinth Macaw, Anodorhynchus hyacinthinus , and the Hawk-headed Parrot, Deroptyus accipitrinus (Psittaciformes: Aves), and its significance for conservation plans. Genetics and Molecular Biology 26 (3): 283-287.

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