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NOTA SOBRE OS PRIMEIROS TREZE MESES DE MANUTENÇÃO EM CATIVEIRO DECalyptommatus spp. E Nothobachia ablephara (SAURIA, GYMNOPHTHALMIDAE) COM OBSERVAÇÕES SOBRE AS TAXAS DE SOBREVIVÊNCIA.
Autores
Claudemir Duran Filho*
Ricardo Yukio Cano*
Flavio de Barros Molina
Instituição
Fundação Parque Zoológico de São Paulo - *estagiários
e-mail: repteis@zoologico.com.br
Calyptommatus
nicterus, C. sinebrachiatus, C. leiolepis e Nothobachia ablephara são
espéciesendêmicas das dunas interiores do rio São Francisco
(Bahia). Possuem hábitos noturnos e fossoriais, embora N. ablephara
também apresente atividade diurna e terrestre. O seu comportamento
ainda é pouco conhecido, bem como o manejo necessário para
sua manutenção em cativeiro. Em 15 e 29 de maio de 2000, foram
enviados para a Fundação Parque Zoológico de São
Paulo 185 Calyptommatus sinebrachiatus (Santo Inácio/BA), 130 C.
nicterus (Santo Inácio/BA), 85 C. leiolepis (Alagoado/BA), 125 C.
leiolepis (Ibiraba/BA) e 20 Nothobachia ablephara (Alagoado/BA), com o objetivo
básico de se desenvolver um manejo adequado para a manutenção
em cativeiro. Os lagartos foram agrupados em terrários de vidro,
de acordo com a espécie e o local de origem. Como substrato utilizou-se
areia, com 10cm de profundidade. Inicialmente, permaneceram em sala cuja
temperatura oscilou entre aproximadamente 27 e 30oC e a umidade relativa
do ar entre 42 e 50%. A partir de 27 de junho, foram mantidos em sala com
ciclo claro-escuro invertido; das 8:00 as 17:00h apenas quatro lâmpadas
azuis de 40W/220V eram mantidas ligadas. No ciclo escuro, a temperatura
era mantida entre aproximadamente 28 e 31,5°C; a umidade relativa do
ar, entre aproximadamente 50 e 65%. No ciclo claro, a temperatura era mantida
entre 26 e 29°C; a umidade, entre 55 e 70%.
Como alimento, receberam inicialmente larvas de coleópteros, Tenebrio
molitor e Alphitobius diaperinus, sendo as últimas as preferidas.
Ninfas de grilo, Gryllus sp., e formas adultas de A. diaperinus não
foram consumidas. A partir de 20 de julho, passou-se a oferecer cupins (Isoptera).
Foram tão bem aceitos que após alguns dias as larvas de coleópteros
passaram a ser rejeitadas. As presas eram oferecidas ad libitum uma vez
por semana. Água, inicialmente, foi oferecida em
recipientes e na forma de chumaços de algodão bem úmidos,
que mostraram-se, porém, inviáveis. A partir de 05 de agosto,
a água passou a ser obtida principalmente através do alimento.
Entretanto, de 21 de agosto de 2000 a 18 de abril de 2001 cerca de 100ml
de água passou a ser borrifado nas paredes de cada terrário,
uma vez por semana. Vários animais foram observados lambendo gotículas
de água. Comportamento de acasalamento e presença de ovos
foram observados em terrário de C. leiolepis. A taxa de sobrevivência
para cada espécie, no período de 15/29 de maio de 2000 a 30
de junho de 2001, equivaleu a 45,4% para C. sinebrachiatus (Santo Inácio/BA);
53,8% para C. nicterus (Santo Inácio/BA); 21,1% para C. leiolepis
(Alagoado/BA); 40,8% para C. eiolepis (Ibiraba/ BA) 10,0% para N. ablephara
(Alagoado/BA).