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CRESCIMENTO
E MORTALIDADE DE UMA NINHADA DE URUTU-CRUZEIRO, Bothrops alternatus, EM
CATIVEIRO (SERPENTES, VIPERIDAE).
Autores
Sávio Stefanini SantAnna1 e-mail: saviobutanta@originet.com.br
Danielle da Silva Gonçalves2 e-mail: danielle_goncalv@uol.com.br
Beatriz Aparecida Imparato3 e-mail: b.imparato@bol.com.br
Instituição
Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan, Av. Dr. Vital
Brazil, 1500 - CEP 05503-900
A manutenção
de serpentes nascidas em cativeiro para a produção de veneno
tem apresentado vantagens sobre as vindas da natureza, já que não
necessitam de habituação às condições
de cativeiro e não sofrem o estresse do manejo de forma tão
acentuada. Por outro lado, surgem dificuldades para criar os filhotes principalmente
nos primeiros anos de vida. Rejeição ao alimento oferecido,
viroses, infecções bacterianas estão entre as causas
das altas taxas de mortalidade encontrados nestes animais. Neste trabalho
fizemos o acompanhamento de uma ninhada de urutu-cruzeiro, Bothrops alternatus,
por 20 meses com o objetivo de analisar a taxa de sobrevida, crescimento
e o consumo de alimento no período. Este é um viperídeo
que ocorre nas regiões Sul, Sudeste e Parte da Região Centro-Oeste
do Brasil, além do Norte da Argentina, Sul do Paraguai e praticamente
todo o Uruguai. É uma espécie vivípara, terrícola,
de hábitos crepusculares e noturnos, que se alimenta basicamente
de pequenos mamíferos. Em 11 de novembro de 2000, uma fêmea
de B. alternatus (Uruguaiana, RS) pariu uma ninhada de 27 indivíduos,
sendo que um nasceu
morto. Entre os vivos, nasceram 10 machos (média da massa = 12,5
g + 0,8 g; média do comprimento rostro-cloacal (CRC)= 268,5 mm +
14,0 mm e média do comprimento da cauda (CC)= 41,0 mm+ 4,6 mm) e
16 fêmeas (x massa = 12,3 g + 1,6 g e x CRC= 257,5 mm + 17,1 mm e
x CC= 32,8 mm + 2,6 mm). Os filhotes foram mantidos individualmente em caixas
plásticas transparentes forradas com papelão ondulado e água
ad libitum, em salas a temperatura média de 24 ºC. A alimentação
constituise de camundongos albinos pesando entre 1,5 a 30 gramas, fornecidos
a cada 15 dias. As serpentes foram pesadas a cada 30 dias e medidas a cada
90 dias. Na maioria das vezes estes animais se alimentaram espontaneamente
logo no primeiro mês de vida. Nestes 20 meses de vida, 17 serpentes
(65%) morreram, sendo que 15 morreram nos primeiros 3,5 meses de vida. Após
o período, analisados machos e fêmeas que sobreviveram apresentaram
diferenças na taxa de crescimento, apesar das mesmas não serem
significativas, até o momento, as fêmeas tenderam a aumentar
mais em massa e em comprimento.