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ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL PARA MACACOS PREGO ( Cebus apella ), EM CATIVEIRO. VEIGA, N¹. , BOUCINHAS, C². , CROCE, C.G.G³. , ALMEIDA, S.M4. , SIQUEIRA, E.R5. , MOLINO, A.B6. , ZEFERINO, C.P7. , SILOTO, E.V8. , GUIMARÃES, J.M9.

 

INTRODUÇÃO : O macaco prego é um animal hábil, que quando em vida livre passam grande maioria do tempo procurando alimento. Sendo assim, podemos dizer que os animais em ambiente cativo acabam sendo privados de muitas atividades. A principal ocupação deles é desestimulada pela alimentação fornecida freqüentemente na mesma hora e local. Essa desocupação desencadeia uma série de comportamentos anormais, indicando um baixo nível de bem-estar. Esses comportamentos podem ser qualitativos (ocorrem apenas em cativeiro) ou quantitativos (ocorrem em taxas maiores ou menores em cativeiro). Entre os comportamentos anormais qualitativos estão a automutilação, posturas, vários distúrbios sexuais, como a masturbação excessiva, coprofagia, vômitos e movimentos estereotipados. Entre os comportamentos anormais quantitativos estão a hiperatividade, letargia, problemas sociais e hiperagressividade. OBJETIVOS : Visando minimizar essas alterações comportamentais, foi estabelecida a prática de enriquecimento ambiental, que tem dois objetivos principais: o primeiro é melhorar o bem-estar do animal, e o segundo é fazer com que ele haja de maneira mais natural possível. METODOLOGIA Para isso o enriquecimento visa: reduzir a freqüência de comportamentos anormais; aumentar a diversidade comportamental, aumentando em quantidade e qualidade os comportamentos naturais (selvagens); aumentar a utilização positiva do recinto, além de aumentar a habilidade de lidar com desafios de uma maneira natural. As observações foram realizadas na Empresa Anidro do Brasil, patrocinadora do Projeto Centrofauna (Centro de Triagem de Animais Silvestres - CETAS) em convênio ao Setor de Animais Silvestres da UNESP de Botucatu,SP. No CETAS são mantidos animais silvestres em cativeiro, vítimas de crimes ambientais, oriundos da região de Botucatu,SP. O casal de macacos-prego observado encontrava-se em um recinto fechado com tela de alambrado de 3cm de malha, cujas dimensões são de 3,00 largura X 5,00m profundidade X 3,5m de altura, com um tambor de papelão que servia de abrigo, uma bandeja onde eram colocados os alimentos, um bebedouro e os poleiros dispostos no alto do recinto, para que os animais permanecessem o mais próximo possível do seu ambiente natural. O trabalho de enriquecimento ambiental utilizou os seguintes equipamentos: termômetro de bulbo seco, higrômetro e relógio, sendo realizado em três fases. Na fase pré-enriquecimento (Fase I) foram levantados dados sobre os animais em estudo, antes de fornecer qualquer tipo de enriquecimento. É nessa fase que são levantados os problemas dos animais e é nela que é baseado o plano de ação, onde são definidos os objetivos específicos do trabalho. Na fase de enriquecimento (Fase II) introduziu-se no recinto frutos de cocos, suspensos por cordas, contendo em seu interior larvas de tenébrio ( Anthonomus grandis ), sendo realizado o levantamento de dados sobre os animais em condições enriquecidas. Finalmente na fase pós-enriquecimento (Fase III) o enriquecimento foi retirado, e dados foram coletados sobre os animais . Isso permite ter certeza que as eventuais modificações ocorridas no comportamento dos animais são decorrentes do enriquecimento implantado. As observações de cada fase tiveram uma duração média de 09 horas e 20 minutos, totalizando 28 horas de observação focal contínua, distribuídas num período de 14 dias. RESULTADOS : Nas observações realizadas, o comportamento lúdico foi o mais observado durante a exploração do enriquecimento (Fase II), quando a maioria das vezes o macho se distraía com as cordas e com os frutos, além de uma maior manifestação dos comportamentos exploratórios, lúdico e alimentício por ambos animais. Após a retirada do enriquecimento, ou seja, durante a Fase III, os animais continuavam a apresentar os mesmos comportamentos anteriores , porém com menor freqüência. A fêmea também apresentou comportamento estereotipado e ócio pela falta de ocupação, já o macho apresentou vocalização e medo. CONCLUSÃO :Com isso, conclui-se que animais criados em ambientes enriquecidos aumentam a diversidade comportamental e diminuem os comportamentos estereotipados, contribuindo para o bem-estar. Não foi observado aumento na utilização do recinto, porém houve estímulos que fizeram os animais reproduzirem seu instinto natural.

¹Nabor Veiga, Faculdade de Méd. Vet. e Zootecnia, Unesp – Campus de Botucatu – nabor@fca.unesp.br

²Cláudia Boucinhas, Zootecnista - Faculdade de Méd. Vet e Zootecnia, Unesp – Campus de Botucatu – nabor@fca.unesp.br

³Ciro Guilherme Gentil Croce, Instituto Floravida, Botucatu, SP. ciro@floravida.org.br

4Silvia Maria de Almeida. Instituto Floravida, Botucatu, SP. ciro@floravida.org.br

5Edson Ramos de Siqueira. Faculdade de Méd. Vet. e Zoot., Unesp – Campus de Botucatu – diretoria@fca.unesp.br

6Andréia de Brito Molino, Graduanda, Faculdade de Méd. Vet. e Zootecnia, Unesp – Campus de Botucatu – nabor@fca.unesp.br

7Cynthia Pieri. Zeferino, Graduanda , Faculdade de Méd. Vet. e Zootecnia, Unesp – Campus de Botucatu – nabor@fca.unesp.br

8Estela Valeria Siloto, Faculdade de Méd. Vet. e Zootecnia, Unesp – Campus de Botucatu – nabor@fca.unesp.br

9Janaína Mello Guimarães, Instituto Floravida, Botucatu, SP. janainamello@floravida.org.br