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LEVANTAMENTO DE RÉPTEIS DO PARQUE MUNICIPAL MANOEL PEDRO RODRIGUES, ALFENAS-MG
Ribeiro
Júnior, M.A.1,
Leal, L.M.C.2,
Brandão, A.A.A. 3,
Silva, V.X. 4 .
1 Acadêmico
do curso de Ciências Biológicas da Escola de Farmácia
e Odontologia de Alfenas/Centro Universitário Federal (Efoa/Ceufe),
marcoantonio@unisol.org.br
2 Acadêmica do curso de Ciências Biológicas da Efoa/Ceufe,
liliam.leal@ig.com.br
3 Parque e Zoológico Municipal Manoel Pedro Rodrigues, andreabrandao@pitnet.com.br
4 Professor orientador do Departamento de Ciências Biológicas
da Efoa/Ceufe, vinic@int.efoa.br
Introdução:
Os répteis nesse trabalho incluem apenas lagartos e serpentes (Squamata).
A área de estudo pertence ao Parque Municipal Manoel Pedro Rodrigues,
em Alfenas (MG), com aproximadamente cinco alqueires de mata bastante antropizada.
O levantamento dos répteis do Parque Municipal tem como principais
objetivos ampliar o conhecimento sobre a fauna nativa e utilizar tais informações
no diagnóstico da qualidade ambiental deste Parque.
Materiais e Métodos: Os répteis do Parque Municipal Manoel
Pedro Rodrigues representam o material de estudo deste projeto, que se estendeu
de outubro de 2002 a maio de 2003. Eles foram coletados através de
armadilhas de queda ou ativamente, através da procura dos espécimes
(Martins, 1994). Foram instaladas 20 armadilhas dispostas em estações
formadas por quatro baldes de 20L enterrados no solo até a borda.
Um balde é posicionado no meio e os outros três em volta e
unidos ao central por cercas de lona plástica com 4m de comprimento
e 50cm de altura. Ao se deparar com uma das cercas, o animal tende a segui-la
e acaba caindo e permanecendo dentro do balde. Após a captura os
exemplares passam por quatro etapas: morte, fixação, preservação
e identificação (Auricchio & Salomão, 2002). A
coleta ativa foi feita durante o dia (quatro expedições por
semana) e a noite (uma expedição semanal). As armadilhas ficaram
abertas geralmente quatro dias por semana e foram visitadas duas vezes por
dia para coleta dos espécimes capturados. Foram sacrificados, no
máximo, três exemplares para cada espécie encontrada
de acordo com permissão emitida pelo IBAMA (licenças nº
155/2002/MG e 156/2002/MG). Os exemplares excedentes foram soltos, mas entraram
na contagem total, pois trazem informações sobre a abundância
relativa das espécies (Auricchio & Salomão, 2002). Para
análise dos dados coletados foram calculados índices de diversidade,
segundo Odum (1988), além de preparadas curvas cumulativas de espécies.
Resultados: Os dados obtidos durante o período de estudo são
apresentados nas Tabelas 1 e 2 seguintes. A busca ativa representou um esforço
de coleta de 831 horas/homem e as armadilhas de queda realizaram um esforço
de coleta de 4307 horas/armadilha. Foram registradas seis espécies
de lagartos distribuídas em cinco famílias, totalizando 25
indivíduos. Já no caso das serpentes, foram capturados apenas
três indivíduos de três espécies, pertencentes
a duas famílias distintas. Foi realizada também uma entrevista
com três funcionários do Parque na tentativa de amostrar melhor
este grupo de répteis (Tabela 2). Os dados da entrevista não
entraram nos cálculos dos índices de diversidade, que são
apresentados separadamente para lagartos e serpentes na Tabela 3. A Tabela
4 apresenta uma comparação entre o número de espécies
de lagartos e serpentes registrados no Parque Municipal e valores correspondentes
em outros levantamentos obtidos na literatura. As curvas cumulativas de
espécies de lagartos e serpentes são apresentadas nos gráficos
da Figura 1.
Tabela 1: Espécies de lagartos e seus respectivos nomes vulgares,
registrados entre outubro de 2002 e maio de 2003, no Parque Municipal Manoel
Pedro Rodrigues, Alfenas-MG.

Tabela 2: Espécies de serpentes e seus respectivos nomes vulgares, registrados entre outubro de 2002 a maio de 2003, no Parque Municipal Manoel Pedro Rodrigues, Alfenas - MG.

Tabela 3: Índices de riqueza de espécies (d), de dominância (dom) e diversidade (div) de Simpson (c), de Shannon (H) e de uniformidade de Pielou (e) para lagartos e serpentes registrados no Parque Municipal Manoel Pedro Rodrigues, em Alfenas - MG, no período de outobro/2002 a maio/2003.

Tabela 4: Número de espécies de lagartos e serpentes registrados no Parque Municipal Manoel Pedro Rodrigues, em Alfenas - MG, no período de outobro/2002 a maio/2003 e os valores correspondentes observados em outros levantamentos, como Juréia-SP (Marques, 1998), região de Una-BA (Dixo, 2001), Parque Estadual Intervales-SP (Sazima, 2001) e Serra do Japi-SP (Sazima & Haddad, 1992).

Figura 1: Gráficos das curvas cumulativas de espécies de lagartos e serpentes registrados do Parque Municipal Manoel Pedro Rodrigues, em Alfenas-MG, durante o período de outubro/2002 a maio/2003.

Discussão
e Conclusão: A baixíssima diversidade de serpentes do Parque
Municipal (Tabelas 3 e 4), chama ainda mais a atenção quando
comparada a outros levantamentos (Tabela 4) e à diversidade maior
de lagartos do Parque, embora a riqueza dos últimos seja inferior
a alguns levantamentos realizados em outras áreas (Freitas &
Pavie, 2002), foram verificados valores similares na Serra do Japi, por
exemplo (Sazima & Haddad, 1992). O fato da diversidade de lagartos do
Parque Municipal ser bem superior à diversidade de serpentes e a
afirmação de que a fauna de lagartos de Mata Atlântica
não é mesmo excessivamente rica (Rodrigues, 1990) contribuíram
para a conclusão de que os lagartos do Parque Municipal de Alfenas
sobreviveram relativamente bem aos impactos antrópicos sobre a Mata
ali presente, e que a diversidade registrada para esse grupo deve estar
bastante próxima da real. A diversidade significativamente mais baixa
da ofidiofauna pode ser resultado também da matança indiscriminada
promovida pelo homem, haja visto que o Parque encontra-se cercado de propriedades
rurais. Em ambos os gráficos da Figura 1, as curvas cumulativas atingiram
um platô, indicando que um esforço maior de coleta provavelmente
não resultaria em mais espécies.

Figura 2: Equipe identificando os espécimes coletados.

Figura 3: Enyalius catenatus

Figura 4: Hemidactylus mabouia

Figura 5: Atractus pantostictus

Figura 6: Bothrops jararaca

Figura 7: Liophis typhlus

Figura 8: Heterodactylus imbricatus

Figura 9: Mabuya frenata

Figura 10: Urostrophus vautieri
Referências Bibliográficas
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