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OBSERVAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A MANUTENÇÃO EM CATIVEIRO DE Vanzosaura rubricauda, Psilophthalmus paeminosus E Procellosaurinus tetradactylus (SAURIA, GYMNOPHTHALMIDAE).

Autores
Ricardo Yukio Cano*
Claudemir Duran Filho*
Flavio de Barros Molina

Instituição
Fundação Parque Zoológico de São Paulo - *estagiários
e-mail: repteis@zoologico.com.br

Vanzosaura rubricauda, Psilophthalmus paeminosus e Procellosaurinus tetradactylus são espécies que podem ser encontradas nas dunas interiores do rio São Francisco (Bahia); P. paeminosus e P. tetradactylus são espécies endêmicas da região. O comportamento das três espécies ainda é pouco conhecido, bem como o manejo necessário para sua manutenção em cativeiro. Em 15 e 29 de maio de 2000, foram encaminhados para a Fundação Parque Zoológico de São Paulo 14 V. rubricauda (Santo Inácio/BA), 09 V. rubricauda (Ibiraba/BA), 06 P. paeminosus (Santo Inácio/ BA) e 07 P. tetradactylus (Alagoado/BA), com o objetivo básico de se desenvolver um manejo adequado para a manutenção em cativeiro. Os exemplares de cada espécie foram alojados em um terrário de vidro com substrato de areia (4cm de profundidade) e pequenos torrões de cupinzeiros. Foram mantidos em salas cuja temperatura oscilou entre aproximadamente 24 e 33,5oC e a umidade relativa do ar, entre aproximadamente 40 e 85%. Durante a maior parte do tempo, estiveram submetidos a ciclo claro-escuro com 9/15 horas de duração. Apenas durante alguns dias, permaneceram em sala com ciclo claro-escuro invertido: das 8:00 as 17:00h, apenas quatro lâmpadas azuis de 40W/220V eram mantidas ligadas (entretanto, o único exemplar de P. paeminosus a sobreviver um ano, já está vivendo nessas condições há 7 meses). Como alimento, aceitaram ninfas de grilo ( Gryllus sp.), operárias de cupim (Isoptera) e larvas do besouro da farinha ( Tenebrio molitor e Alphitobius diaperinus) oferecidas ad libitum uma ou duas vezes por semana. Adultos de A. diaperinus foram oferecidos mas não foram consumidos. Água, inicialmente, foi oferecida em recipientes, que após alguns dias foram retirados dos terrários. Após esta fase, a água passou a ser obtida apenas a partir do alimento. O comportamento alimentar de V. rubricauda e P. paeminosus mostrou-se muito semelhante, podendo ser dividido em cinco fases sucessivas, nem todas obrigatórias: 1) Forrageio, 2) Perseguição ou Aproximação da presa, 3) Apreensão, 4) Ingestão, 5) Limpeza bucal. Os exemplares de V. rubricauda de Santo Inácio morreram durante os primeiros 16
dias. Os exemplares de Ibiraba apresentaram a seguinte taxa de sobrevivência: 1o mês = 88,9%; 2o mês = 55,5%; 3o mês = 33,3%; 4o mês = 22,2%; 5o mês = 0,0%. Para P. paeminosus, a taxa de sobrevivência foi a seguinte: 1o mês = 83,3%; 2o mês = 66,7%; 3o mês = 50,0%; 4o mês = 33,3%; 5o mês = 16,7%; 13o mês = 16,7%. Para P. tetradactylus, a taxa de sobrevivência foi a seguinte: 1o mês = 28,6%; 2o mês = 28,6%; 3o mês = 0,0%.