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OBSERVAÇÕES PRELIMINARES SOBRE O COMPORTAMENTO ALIMENTAR DE Calyptommatus spp. (SAURIA, GYMNOPHTHALMIDAE) EM CATIVEIRO.

Autores
Claudemir Duran Filho*
Flavio de Barros Molina

Instituição
Fundação Parque Zoológico de São Paulo - *estagiário
e-mail: repteis@zoologico.com.br

Endêmicos das dunas interiores do rio São Francisco, as três espécies estudadas, Calyptommatus leiolepis, C. nicterus e C. sinebrachiatus, são espécies psamófilas de hábitos noturnos e fossoriais. Forrageadores ativos consomem cupins e pequenas larvas. O conhecimento dos aspectos comportamentais ligados à alimentação é importante por fornecer dados auxiliares para o manejo das espécies em cativeiro. Em 15 e 29 de maio de 2000, foram enviados para a Fundação Parque Zoológico de São Paulo 185 C. sinebrachiatus (de Santo Inácio/BA), 130 C. nicterus (de Santo Inácio/BA), 85 C. leiolepis (de Alagoado/BA) e 125 C. leiolepis (de Ibiraba/BA). Os lagartos foram agrupados em terrários de vidro, de acordo com a espécie e local de origem. Como substrato utilizou-se areia (10cm de profundidade). Inicialmente, permaneceram em sala com temperatura entre 27 e 30ºC e umidade relativa do ar entre 42 e 50%. A partir de 27 de junho, foram mantidos em sala com ciclo claro-escuro invertido, com temperatura oscilando entre 28 e 31,5ºC (ciclo escuro, das 8:00 às 17:00h) e entre 26 e 29ºC (ciclo claro, das 17:01 às 07:59h), e umidade relativa do ar entre 50 e 65% (ciclo escuro) e 55 e 70% (ciclo claro). As observações tiveram início em 6 de julho e término em 2 de novembro de 2000. Cada espécie era observada semanalmente, durante a alimentação, por 4 horas. Como alimento, oferecido ad libitum, receberam larvas de coleópteros,
Tenebrio molitor e Alphitobius diaperinus, sendo estas últimas as preferidas. Ninfas de grilo, Gryllus sp., e formas adultas de A. diaperinus foram oferecidas, porém não foram consumidas. A partir de 20 de julho, passou-se a oferecer cupins (operárias, soldados e rainhas de Isoptera), sendo esta presa tão bem aceita que após alguns dias as larvas de coleópteros passaram a ser rejeitadas. Os resultados preliminares mostram que as três espécies estudadas são predadoras vorazes que podem caçar por emboscada. O comportamento pode ser dividido em 5 fases sucessivas: 1 – Espera, 2 – Aproximação, 3 – Apreensão, 4 – Dilaceração, e 5 – Ingestão. A primeira fase também pode se caracterizar como forrageio. Durante a primeira fase, realizada sob a areia, ocorre a localização da presa, aparentemente através da detecção de vibrações na areia. Na segunda fase, pode ocorrer o reconhecimento olfativo da presa. A apreensão e ingestão de cupins e larvas de A. diaperinus ocorre fora da areia; no caso de larvas de T. molitor, a apreensão (e possivelmente a ingestão) pode ocorrer também sob a areia. Dilaceração foi observada apenas com presas de
grande porte (rainhas de cupim). Durante a ingestão de soldados de cupim, a cabeça podia ser cortada e desprezada, sendo consumido apenas o abdômen e o tórax.