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OBSERVAÇÕES PRELIMINARES DO FORRAGEAMENTO DE POMBOS (Columba livia) NO BOSQUE DOS JEQUITIBÁS - CAMPINAS / SP.
Toni dos
Santos 1;
Valter Udler Cromberg 2;
Claudia Eiko Yoshida3;
Paulo Anselmo Nunes Felippe2;
Eliana Ferraz Santos4.
1Graduando
de Biologia da PUCC - toni-santos@bol.com.br;
2 Zoológico de Campinas;
3 PUCC;
4 Unesp - Rio claro
Os pombos da espécie Columba livia são considerados pragas urbanas causadoras de diversos transtornos como: sujar o local onde vivem, danificar edificações, provocar prejuízos econômicos em certas indústrias alimentícias e de ração, além de problemas zoosanitários. No zoológico do Bosque dos Jequitibás, localizado em Campinas(SP), estas aves vêm trazendo problemas relacionados com a alimentação dos animais em cativeiro.
Os pombos ao se alimentarem, principalmente da comida ofertada aos hipopótamos (Hippopotamus amphibius) (foto 1), emas (Rhea americana) (foto 2) e aos exemplares de aoudad (Ammotragus lervia) (foto 3), acabam alterando a quantidade disponível de alimento (tabela 1) e provavelmente no balanceamento dos nutrientes das dietas. Além disto, com suas exigências nutricionais satisfeitas, podem reproduzir-se em grande número aumentando a concorrência alimentar com os animais em cativeiro.
Visando contribuir com informações que poderão ajudar no controle dos pombos no Bosque dos Jequitibás, desenvolve-se o presente trabalho do qual mostramos alguns resultados, preliminares referentes a quantidade de pombos que visitam o parque; horário de maior atividade; além de descrever os trajetos de vôo e quais os alimentos preferidos por eles.
MATERIAL e MÉTODOS
O método de observação utilizado é o de amostragem temporal a intervalos de 3 minutos e foi empregado para a contagem de aves empoleiradas, em vôo e se alimentando. Os dados foram coletados durante 10 dias do mês de junho/2003, no período das 6:30 às 10 horas, a partir de 04 pontos fixos de observação (figura 3), distribuídos na área de maior ocorrência das aves. Nove aves foram capturadas com o uso de armadilha com isca (ração e milho) e anilhadas com cintas plásticas (foto 4). Posteriormente, houve a soltura destas aves para verificar se as mesmas retornavam ao bosque e como elas o exploravam.
RESULTADOS e DISCUSSÃO
As observações
preliminares dos pombos nos permitiram verificar que eles começam
a chegar ao Bosque dos Jequitibás por dois quadrantes: leste e oeste;
em bandos que variam de 2 a 6 indivíduos; voam em círculos
sobre os lagos e acabam formando um único grupo, com até 70
aves, pousando em seguida numa árvore que serve de poleiro.
O horário de chegada das aves no zoológico se dá em
torno das, 6h e 45min. Este evento acontece minutos antes do primeiro animal
ser alimentado, o hipopótamo, cuja primeira refeição
é feita basicamente de abóboras (Tabela 1). Logo após
o tratador deixar o recinto dos hipopótamos, os pombos começam
a descer da árvore próxima ao recinto para se alimentarem
das sementes de abóbora que ficam espalhadas pelo cativeiro (foto
1).
Na seqüência do tratamento dos animais do zôo, quando os
patos são alimentados (entre 7h e 30min a 7h e 40min), as quantidades
e as opções de comida aumentam e os pombos iniciam revezamento
do local de forrageamento, indo do recinto dos hipopótamos ao dos
patos e ao poleiro (figura 1,2 e 3).
Outra constatação foi a de que os pombos estão condicionados
aos horários de alimentação dos animais do zoológico,
visto que, quando ocorre atraso deste manejo, observa-se que estes voam
até às bandejas para certificarem a existência de alimento.
Evidencia-se esta ação ao acompanharmos as pombas no recinto
das emas, pois devido a cobertura vegetal ser muito intensa, estas voam
direto da árvore usada inicialmente como poleiro para o recinto,
sempre no horário de alimentação das emas (das 9h as
9h e 30min) independente de adiantamentos ou atrasos.
No recinto das emas, a incidência de pombos se alimentando é
maior (foto 2), isso provavelmente, devido a oferta de alimento ser também
maior e mais variada (tabela 1) que a dos outros animais observados. A existência
de milho em três bandejas de alimentos (tabela 1) acentua o interesse
dessas aves, pois constatamos esta preferência através da utilização
de armadilhas para a captura dos pombos. O sucesso de captura foi muito
maior com o uso do milho.
Do recinto das emas, os pombos seguem para o do aoudad (foto 3). A maioria das aves aguarda empoleirada nas árvores próximas, a chegada do tratador no último recinto estudado.
O acompanhamento dos animais anilhados (foto 4) permitiu verificar que um mesmo pombo pode alimentar-se em todos os recintos observados e que uma mesma ave não usa, necessariamente o Bosque dos Jequitibás, todos os dias, podendo ter intervalos de até 4 dias entre uma visita e outra.
CONCLUSÃO
Os dados preliminares expostos indicam que, possivelmente, o controle pela supressão de indivíduos não é indicado, pois as aves vêm de fora do Bosque dos Jequitibás, de pelo menos dois locais de "dormitórios" distintos. Assim uma forma de controle poderia ser baseada na restrição da oferta de alimento, uma vez que se nota que em locais aonde a disponibilidade de alimento é maior, tende a uma maior concentração de pombas. Com uma maior coleta de dados, esperamos obter informações importantes sobre os hábitos de forrageamento destas aves, permitindo assim estabelecer estratégias para a alimentação dos animais em cativeiro que resultem em redução da interferência dos pombos.
Tabela
1: Ingredientes que compõem a alimentação dos animais
do Zoológico.

Foto 1
Pombos no recinto dos hipopótamo (Hippopotamus amphibius)

Foto 2
Pombos no recinto das emas (Rhea americana)

Foto 3
Pombos no recinto dos aoudades (Ammotragus lervia)

Foto 4
Anilhamento de um pombo capturado em armadilha com isca

Figura
1
Gráfico com o número de pombos observados nos
horários de alimentação dos animais no recinto dos
patos e das
emas.

Figura
2
Gráfico com o número de pombos empoleirados no
Zoológico do Bosque dos Jequitibás.

Figura
3
Desenho esquemático com as trajetórias de vôo dos
pombos no Bosque dos Jequitibás, localização dos pontos
de
observação e recintos observados.
