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PRIMEIRAS OBSERVAÇÕES SOBRE A MANUTENÇÃO E CRIAÇÃO EM LABORATÓRIO DO CARACOL TERRESTRE Megalobulimus sp. (MOLLUSCA, MEGALOBULIMIDAE) NO ZOOLÓGICO DE SÃO PAULO.
Autores
Flavio de Barros Molina
Luiz Antônio Beserra de Mello Lula
Claudemir Duran Filho*
Ricardo Yukio Cano*
Jéssica Sanchez de Freitas*
Instituição
Fundação Parque Zoológico de São Paulo -* estagiários
e-mail: repteis@zoologico.com.br
O gênero
Megalobulimus pertence à família Megalobulimidae, descrita
em 1973, e engloba diversas espécies de caracóis terrestres
que vivem na Mata Atlântica. Ao menos em algumas localidades, parecem
correr risco de extinção. Entre as características
típicas das espécies dessa família está a presença
de um par de apêndices bucais retrateis, com função
táctil, facilmente observados em animais vivos. A falta de caracteres
conquiológicos adequados representa um grande
problema na identificação das espécies da família
Megalobulimidae. Pouco se sabe a respeito da manutenção e
criação de Megalobulimus spp., gênero hermafrodita,
em laboratório. Os dados apresentados a seguir correspondem às
observações realizadas a partir de 1999, durante a manutenção
de dois espécimens de Megalobulimus sp., procedentes do Espírito
Santo, e encaminhados à Fundação Parque Zoológico
de São Paulo em janeiro de 1997, e de outros 45 espécimens
nascidos de ovos colocados pelo par inicial, dos quais 34 continuam vivos
em julho de 2001. São mantidos em terrários de vidro com húmus
de minhoca, periodicamente umedecido. O substrato apresenta profundidade
mínima de aproximadamente 1cm e máxima de aproximadamente
6cm, propiciando aí local para que os ovos possam ser enterrados
pelos aracóis. Dois recipientes plásticos são mantidos
em cada terrário, um contendo água e outro contendo ração,
oferecida adlibitum. Utiliza-se ração para roedor, moída
e acrescida de carbonato de cálcio na proporção 85:15.
Os terrários são mantidos em sala com ciclo claro escuro equivalente
a 9/15 horas, temperatura do ar variando entre 17,5 e 30,0° C e umidade
relativa do ar variando entre 36,0 e 99,0%. De setembro de 1999 até
julho de 2001, ocorreram 30 oviposturas a partir do par inicial. Estas apresentaram
entre 1 e 7 ovos (média = 2,87 ovos/postura; D.P. = 1,68). Os ovos
foram encontrados tanto sobre o substrato, como enterrados no mesmo. Apresentam
casca calcária, cor branca e forma alongada. Foram incubados enterrados
ou semi-enterrados em húmus, periodicamente umedecido, e acondicionados
em recipientes plásticos dentro do laboratório de manutenção
dos caracóis. Obtevese taxa de eclosão de 69,1%. A partir
de janeiro de 2000, adultos e filhotes passaram a ser pesados e medidos
(comprimento da concha) mensal ou quinzenalmente.