|
|
AVALIAÇÃO DE DIETAS PARA CANÁRIOS (Serinus canaria ) EM MANUTENÇÃO – BALANÇO DE NITROGÊNIO
Ana Carolina Euler 1 , Walter Motta Ferreira 2 , Flávia Maria Borges Saad 3 Márcia Cristina Costa Nascimento 4 ,
Flávio Luiz Telles 5
1 - Aluno de Doutorado -Nutrição Animal- UFMG - caroleuler@yahoo.com
2- Prof. Adjunto IV- Universidade Federal de Minas Gerais - waltermf@vet.ufmg.br
3 - Prof. Adjunto I – Departamento de Zootecnia – UFLA - borgesvet@ufla.br
4-Zootecnista autônoma -Aluna de graduação - Escola de Veterinária-UFMG - aicramc@yahoo.com.br
5 – Aluno de graduação - Escola de Veterinária-UFMG - Luizflaviot@yahoo.com.br
A quantidade da proteína requerida é afetada pela qualidade da mesma, ingestão de energia, atividade física, temperatura ambiente, idade, sexo e estágio fisiológico do animal. Altos níveis de proteína podem aumentar os requerimentos energéticos, devido ao aumento do custo energético para desaminação e formação e excreção do ácido úrico (Souer e Ozimek, 1996). Além disso, dietas com níveis protéicos altos sobrecarregam a digestão, absorção e eliminação do nitrogênio não aproveitável, havendo sobrecarga de fígado e rins no animal. A associação de todos estes efeitos, reduz a eficiência da dieta, além de elevar o custo.
Henry (1995) citado por Penz Jr.(2000), afirma que a redução do nitrogênio consumido e a conseqüente redução de nitrogênio excretado, que ocorre quando as dietas são formuladas com base no conceito de proteína ideal, não só melhoram o aproveitamento de aminoácidos em geral como também da energia. A menor excreção de nitrogênio resulta em menor produção de calor para catabolizar os aminoácidos, uma vez que eles participam da dieta em menor quantidade e de forma balanceada; assim, a energia líquida da dieta aumenta (Fialho et al., 2003).
Animais adultos em manutenção apresentam um equilíbrio entre a ingestão e a eliminação do nitrogênio. A quantidade de proteína que determina o ponto zero de equilíbrio do N pode ser considerada como a exigência mínima para a manutenção destas aves. O balanço de nitrogênio (BN) representa a porção de nitrogênio (N) ingerido que foi depositado no organismo sob a forma de proteína. Em aves adultas em manutenção a proteína ingerida deve ser suficiente para manter a reciclagem de proteína tecidual.
Objetivo
O objetivo deste trabalho foi avaliar o BN aparente (BNA) de aves consumindo nove dietas com níveis crescentes de proteína bruta combinados com três níveis de energia metabolizável.
Material e Métodos
O presente experimento foi conduzido no município de Belo Horizonte, Minas Gerais, no período de 3 de maio a 20 de julho de 2004. Foram utilizados 54 canários ( Serinus canaria) , distribuídos ao acaso em nove tratamentos O delineamento estatístico foi o de blocos incompletos balanceados, em fatorial 3 X 3 (três níveis de energia metabolizável: 2700; 2850 e 3000 kcal/kg e três níveis de proteína bruta: 12 – 15 e 18% de PB), em quatro períodos experimentais, totalizando-se com oito repetições cada tratamento. Para comparar os efeitos dos níveis de energia (três níveis) e as respectivas interações entre as dietas sobre as variáveis estudadas neste trabalho foi utilizado o teste t de Student (Diferença mínima significativa - dms).
As aves foram alojadas durante todo o período pré-experimental e experimental num galpão de alvenaria. O período pré-experimental constou de 30 dias de adaptação às dietas experimentais nas mesmas condições que as descritas para o período experimental. Cada unidade experimental (gaiola metabólica) alojou três aves, com o intuito de obter volume de excretas suficientes para posteriores análises. As gaiolas metabólicas eram de arame galvanizado. Sob cada gaiola foi colocada uma saia de pano para colheita de desperdícios de ração e forradas com plásticos ao fundo para colheita das excretas.
Os tratamentos experimentais encontram-se descritos na tabela 1. As rações foram oferecidas na forma extrusada. As aves receberam água à vontade, em bebedouros tipo pressão e as rações experimentais “ad libitum” em comedouros.
Para a realização do ensaio de digestibilidade, procedeu-se a colheita total de excretas, em quatro fases experimentais de doze dias cada e um intervalo de sete dias entre os períodos experimentais para adaptação a nova dieta.
Diariamente as dietas e as sobras foram colhidas separadamente, de cada repetição, acondicionada em sacos plásticos devidamente identificados, hermeticamente fechados e armazenadas em congelador (-18 ° C), para posteriores análises químicas.
Tabela 1: Formulação das dietas experimentais.
Formulação das dietas (Matéria Natural) |
||||||||||
Proteína bruta (%) |
||||||||||
12 |
15 |
18 |
||||||||
Energia Metabolizável (kcal/kg) |
||||||||||
Alimentos |
2700 |
2850 |
3000 |
2700 |
2850 |
3000 |
2700 |
2850 |
3000 |
|
Milho moído |
64,06 |
74,34 |
73,80 |
59,26 |
68,08 |
64,78 |
54,09 |
59,06 |
56,46 |
|
Farelo de trigo |
14,00 |
2,47 |
- |
10,80 |
- |
- |
7,36 |
- |
- |
|
Farinha de soja |
11,31 |
13,05 |
13,89 |
19,94 |
21,64 |
22,23 |
28,63 |
29,98 |
27,37 |
|
Açúcar |
5,00 |
5,00 |
5,00 |
5,00 |
5,00 |
5,00 |
5,00 |
5,00 |
5,00 |
|
Premix min.-vit. |
1,80 |
1,80 |
1,80 |
1,80 |
1,80 |
1,80 |
1,80 |
1,80 |
1,80 |
|
Fosfato bicálcico |
1,81 |
1,89 |
1,95 |
1,70 |
1,78 |
1,84 |
1,60 |
1,68 |
1,72 |
|
Calcário |
1,00 |
0,87 |
0,84 |
0,91 |
0,89 |
0,86 |
0,93 |
0,90 |
0,88 |
|
Sal |
0,25 |
0,25 |
0,25 |
0,25 |
0,25 |
0,25 |
0,25 |
0,25 |
0,25 |
|
Antifúngico |
0,15 |
0,15 |
0,15 |
0,15 |
0,15 |
0,15 |
0,15 |
0,15 |
0,15 |
|
Corante artificial amarelo |
0,08 |
0,08 |
0,08 |
0,08 |
0,08 |
0,08 |
0,08 |
0,08 |
0,08 |
|
Aromatizante tutti-fruti |
0,07 |
0,07 |
0,07 |
0,07 |
0,07 |
0,07 |
0,07 |
0,07 |
0,07 |
|
Sulfato ferroso |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
|
B.H.T |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
|
Óleo de soja |
- |
- |
2,13 |
- |
0,22 |
2,92 |
- |
1,01 |
2,75 |
|
Total |
100 |
100 |
100 |
100 |
100 |
100 |
100 |
100 |
100 |
|
Resultados
Observou-se um menor consumo de PB na dieta 12/3000 e consumos maiores nas dietas 15/2700, 15/2850 e nas demais dietas com 18%PB. Para excreção verificou-se uma menor excreção de PB para a dieta 12/2700 e excreções mais elevadas de PB nas dietas 15/2850, 15/3000 e as com 18% PB. Esses resultados colaboraram para maiores retenções de nitrogênio (BN) nas dietas com 15/3000 e 18/2700, 18/2850 e 18/3000. Entretanto, são necessários trabalhos futuros com mensuração do ácido úrico e realização de correlações entre as duas metodologias.
Tabela 2- Valores para consumo e excreção de Proteína bruta e balanço de nitrogênio
Níveis de EM (kcal) MN |
Consumo de Proteína Bruta (g/ave/dia) |
||
12 |
15 |
18 |
|
2700 |
0,60 Ba |
0,71 ABa |
0,82 Aa |
2850 |
0,52 Ba |
0,68 Aa |
0,80 Aa |
3000 |
0,47 Ca |
0,64 Ba |
0,82 Aa |
CV |
|
|
7,66% |
Níveis de EM (kcal) MN |
Excreção de Proteína Bruta (g/ave/dia) |
||
12 |
15 |
18 |
|
2700 |
0,45 Ca |
0,51 Bb |
0,56 Aa |
2850 |
0,49 Ba |
0,56 Aa |
0,55Aa |
3000 |
0,48 Ba |
0,57 Aa |
0,54Aa |
CV |
7,59% |
||
Níveis de EM (kcal) MN |
Balanço de Nitrogênio Níveis de proteína (%) |
||
|
12 |
15 |
18 |
2700 |
0,023 Ba |
0,033 Aba |
0,043 Aa |
2850 |
0,005 Cb |
0,019 Bb |
0,041 Aa |
3000 |
-0,002 Cb |
0,011Bb |
0,041Aa |
CV |
45,64% |
||
Médias seguidas de letras maiúsculas na mesma linha ou minúsculas na mesma coluna diferem entre si (P<0,05)
Referência Bibliográfica
HARPER, E. J.; LAMBERT, L.; MOODIE, N. The comparative nutrition of two passarine species: the canary ( Serinus canarius) and the zebra finch ( Poephila guttata ). J. Nutr . n. 128, 1998. p. 2685S-2685S .
2 KAMPHUES, J.; MEYER, H. Basic data for factorial derivation of energy and nutrient requeriments of growing canaries. J. Nutr. n. 121, 1991. p. S207-S208.
3 KAMPHUES, J., WOLF, P., RABEHL, N., Derivation of the necessary nutrient concentrations (related to energy content) in diets for growing pet birds (canaries, budgerigars and lovebirds). Proceedings of the Sixth Annual Congress of the European Society of Veterinary Medicine, 12-14 september, Veldhoven, The Netherlands. 1996.
4 TAYLOR, E. J.; NOTT, H. M. R.; EARLE, K. E. The nutrition of the canary ( Serinus canaries) . J. Nutr., n.124, 1994. p.2636S-2637S.
5 ULLREY , D. E.; ALLEN, M. E.; BAER, D.J. Formulated diets versus seed mixtures for psitacines. Journal of nutrition - Nutrition of cage birds , v.121: n 11S, 1991. p.193-205.