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LEVANTAMENTO DAS PRINCIPAIS CAUSAS DE ENCAMINHAMENTO DE BUGIOS ( Alouatta fusca clamitans) AOS CENTROS DE TRIAGEM NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO.

Autores
Adriano Mari Pasquotto1 – e-mail: adrpasquotto@tutopia.com.br
Adriana Marques Joppert2 – e-mail: adrianajoppert@uol.com.br
Maria Eugênia Laurito Summa2 – e-mail: lauritos@uol.com.br

Instituição
1. Médico Veterinário
2. Divisão Técnica de Medicina Veterinária e Manejo da Fauna Silvestre

No Estado de São Paulo, o bugio está ameaçado de extinção (anexo I), categoria vulnerável, Decreto nº 42838 de 04/02/98. Populações naturais de bugios são ainda encontradas em remanescentes florestais de Mata Atlântica nas regiões norte e sul do município, no entanto, devido ao processo desordenado de expansão urbana, áreas significativas de florestas estão sendo
suprimidas. Desta forma, pela diminuição de seu habitat natural, é cada vez mais freqüente o encontro de bugios nas proximidades de áreas residenciais, sendo comuns os acidentes causados por essa interação com o meio urbano.
De todos os bugios encaminhados a Divisão Técnica de Medicina Veterinária e Manejo da Fauna Silvestre foram anotados dados de procedência, data de entrada, condições de encontro, sexo e idade. Após o recebimento, os animais foram contidos quimicamente (tiletamina e zolazepam 3 a 5 mg/kg ou com quetamina 10 a 15 mg/kg) para realização de exame clínico, sendo seus dados
anotados em fichas clínicas. No período de novembro de 1993 a junho de 2002 foram atendidos um total de 91 bugios ( A. fusca clamitans), sendo 53 machos (58,2%), 32 fêmeas (35,2%) e 6 não computados (6,6%). Quanto à faixa etária 56 adultos (61,5%), 12 jovens (13,2%), 19 filhotes (20,9%) e 4 indeterminados (4,4%). Quanto à procedência, 76 animais eram procedentes do município de São Paulo, sendo 58 da Zona Norte (76,3%), 16 da zona Sul (21%) e 2 da zona Oeste (2,6%). Quatorze animais foram procedentes de municípios próximos ou vizinhos e um animal de procedência desconhecida. Do total de 91 animais recebidos 47 animais encontravam-se doentes e/ou feridos (51,6%), 29 saudáveis (31,9%) e sem lesões aparentes, 13 chegaram mortos (14,3%) e dois nasceram na própria Divisão (2,2%). Dos 47 animais que chegaram doentes e feridos, 18 apresentaram traumatismos por causas conhecidas (38,3%) (4 por atropelamento, 4 por choque elétrico, 7 por ataques de cães, 2 por mordeduras e 1 por queda), 22 traumatismos por causa desconhecida (46,8%) e 7 debilitados e/ou desnutridos (14,9%). Dos 13 animais que chegaram mortos, 5 foram atacados por cães, 1 foi atropelado, 1 sofreu choque elétrico, 2 apresentavam traumas por causas desconhecidas e 4 mortos por causa indeterminada.
Os acidentes traumáticos foram a principal causa de recebimento de bugios. A grande incidência de acidentes por ataques de cães, choques elétricos e atropelamentos revela um crescente e preocupante impacto do meio urbano nesta população.