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INFLUÊNCIA DA PROTEÍNA E ENERGIA SOBRE A DIGESTIBILIDADE APARENTE DA MATÉRIA SECA PARA CANÁRIOS ( SERINUS CANARIA ) ADULTOS EM MANUTENÇÃO

Ana Carolina Euler 1 , Walter Motta Ferreira 2 , Flávia Maria Borges Saad 3 Márcia Cristina Costa Nascimento 4 ,

Flávio Luiz Telles 5

1 - Aluno de Doutorado -Nutrição Animal- UFMG - caroleuler@yahoo.com

2- Prof. Adjunto IV- Universidade Federal de Minas Gerais - waltermf@vet.ufmg.br

3 - Prof. Adjunto I – Departamento de Zootecnia – UFLA - borgesvet@ufla.br

4-Zootecnista autônoma -Aluna de graduação - Escola de Veterinária-UFMG - acramc@yahoo.com.br

5 – Aluno de graduação - Escola de Veterinária-UFMG - Luizflaviot@yahoo.com.br

Introdução

A digestibilidade é definida como sendo uma medida do desaparecimento de nutrientes durante sua passagem pelo sistema digestivo e não sob a idéia de absorção. A absorção refere-se aos intercâmbios que acontecem entre o sangue e o lúmen digestivo. No entanto a disponibilidade é a proporção dos nutrientes presentes na ração que foram digeridos, absorvidos que são utilizados pelo metabolismo. De acordo com Van Soest (1994), a digestibilidade dos nutrientes nos alimentos é comumente expressa como porcentagem do nutriente que desaparece no balanço entre alimento ingerido e excreção de fezes.

Para formular rações para aves silvestres, dois pontos são muito importantes; o conhecimento de suas necessidades nutricionais e o conhecimento dos nutrientes disponíveis em cada ingrediente utilizado. Quanto melhor forem as estimativas da digestibilidade dos nutrientes nas dietas e suas exigências, mais precisas serão as formulações para atender as exigências nutricionais dos animais.

Objetivo

O objetivo deste trabalho foi avaliar o coeficiente de digestibilidade aparente da matéria seca (CDaMS) de nove dietas com diferentes níveis protéicos e energéticos.

Material e Métodos

O presente experimento foi conduzido no município de Belo Horizonte, Minas Gerais, no período de 3 de maio a 20 de julho de 2004. Foram utilizados 54 canários ( Serinus canaria) , distribuídos ao acaso em nove tratamentos O delineamento estatístico foi o de blocos incompletos balanceados, em fatorial 3 X 3 (três níveis de energia metabolizável: 2700; 2850 e 3000 kcal/kg e três níveis de proteína bruta: 12 – 15 e 18% de PB), em quatro períodos experimentais, totalizando-se com oito repetições cada tratamento. Para comparar os efeitos dos níveis de energia (três níveis) e as respectivas interações entre as dietas sobre as variáveis estudadas neste trabalho foi utilizado o teste t de Student (diferença mínima significativa - dms).

As aves foram alojadas durante todo o período pré-experimental e experimental num galpão de alvenaria. O período pré-experimental constou de 30 dias de adaptação às dietas experimentais nas mesmas condições que as descritas para o período experimental. Cada unidade experimental (gaiola metabólica) alojou três aves, com o intuito de obter volume de excretas suficientes para posteriores análises. As gaiolas metabólicas eram de arame galvanizado. Sob cada gaiola foi colocada uma saia de pano para colheita de desperdícios de ração e forradas com plásticos ao fundo para colheita das excretas.

Os tratamentos experimentais encontram-se descritos na tabela 1. As rações foram oferecidas na forma extrusada. As aves receberam água à vontade, em bebedouros tipo pressão e as rações experimentais “ad libitum” em comedouros.

Para a realização do ensaio de digestibilidade, procedeu-se a colheita total de excretas, em quatro fases experimentais de doze dias cada e um intervalo de sete dias entre os períodos experimentais para adaptação a nova dieta.

Diariamente as dietas e as sobras foram colhidas separadamente, de cada repetição, acondicionada em sacos plásticos devidamente identificados, hermeticamente fechados e armazenadas em congelador (-18 ° C), para posteriores análises químicas.

Tabela 1: Formulação das dietas experimentais.

Formulação das dietas (Matéria Natural)

Proteína bruta (%)

12

15

18

Energia Metabolizável (kcal/kg)

•  Alimentos

2700

2850

3000

2700

2850

3000

2700

2850

3000

Milho moído

64,06

74,34

73,80

59,26

68,08

64,78

54,09

59,06

56,46

Farelo de trigo

14,00

2,47

-

10,80

-

-

7,36

-

-

Farinha de soja

11,31

13,05

13,89

19,94

21,64

22,23

28,63

29,98

27,37

Açúcar

5,00

5,00

5,00

5,00

5,00

5,00

5,00

5,00

5,00

Premix min.-vit.

1,80

1,80

1,80

1,80

1,80

1,80

1,80

1,80

1,80

Fosfato bicálcico

1,81

1,89

1,95

1,70

1,78

1,84

1,60

1,68

1,72

Calcário

1,00

0,87

0,84

0,91

0,89

0,86

0,93

0,90

0,88

Sal

0,25

0,25

0,25

0,25

0,25

0,25

0,25

0,25

0,25

Antifúngico

0,15

0,15

0,15

0,15

0,15

0,15

0,15

0,15

0,15

Corante artificial amarelo

0,08

0,08

0,08

0,08

0,08

0,08

0,08

0,08

0,08

Aromatizante tutti-fruti

0,07

0,07

0,07

0,07

0,07

0,07

0,07

0,07

0,07

Sulfato ferroso

0,02

0,02

0,02

0,02

0,02

0,02

0,02

0,02

0,02

B.H.T

0,02

0,02

0,02

0,02

0,02

0,02

0,02

0,02

0,02

Óleo de soja

-

-

2,13

-

0,22

2,92

-

1,01

2,75

Total

100

100

100

100

100

100

100

100

100

Resultado

Na tabela 2 encontram-se os valores de energia metabolizável aparente e os coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca das dietas experimentais. A energia não apresentou efeito significativo para CDMS, pois as aves tenderam a ajustar os valores de EMAn das dietas experimentais. Foi observado efeito significativo da influência da proteína nas dietas 12/2700, 15/2700, 15/2850, 15/3000 e 18/3000 sobre CDaMS já que os valores energéticos foram semelhantes.

Tabela 2- Valores de energia metabolizável aparente corrigida pelo nitrogênio e coeficiente de digestibilidade da matéria seca das dietas experimentais.

Níveis de EM (kcal) MN

Valor de EMan
Níveis de proteína (%)

12

15

18

Média

2700

2857,39

2857,39

2857,39

2841,26

2850

2796,00

2796,00

2796,00

2860,59

3000

2870,40

2870,40

2870,40

2827,77

Média

2834,87

2851,52

2843,24

2843,21
CV
     
8,61%

Níveis de EM (kcal) MN

Coeficiente de digestibilidade aparente da MS (%)
Níveis de proteína (%)

12

15

18

2700

68,97 Aa

70,20 Aa

67,63 Aab

 

2850

65,05 Bb

69,51 Aa

65,06 Bb

 

3000

64,07 Bb

70,18Aa

68,95 Aa

 

CV

4,99%

 

Médias seguidas de letras maiúsculas na mesma linha ou minúsculas na mesma coluna diferem entre si (P<0,05)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

VAN SOEST, P.J. Nutritional ecology of the ruminant . 2 a . ed. Ithaca, Cornell University Press, 1994, 476p.