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MANUTENÇÃO EM LABORATÓRIO DE COLÔNIAS DE FALSA-TOCANDIRA, Dinoponera australis E D. gigantea (HYMENOPTERA, FORMICIDAE): A LONGEVIDADE DAS OPERÁRIAS COMO INDICATIVO DO POTENCIAL DE EXPOSIÇÃO PÚBLICA PARA ZOOLÓGICOS

Autores
Freitas, J. S.
Molina, F. B.

Instituição
Setor de Répteis da Fundação Parque Zoológico de São Paulo
e-mail: repteiszoo@zoologico.sp.gov.br

A manutenção e exposição pública de insetos em zoológicos brasileiros ainda é pouco freqüente, o que é um grande paradoxo, visto que esta é a classe mais numerosa do reino animal. Desde 1980, o Zôo de São Paulo mantém exposta ao público uma colônia de saúva, Atta sexdens rubropilosa, e desde o final de 1999, uma colônia de falsa-tocandira, Dinoponera gigantea (e durante vários meses, também, uma colônia de D. australis). Insetos sociais oferecem uma gama variada de temas a serem trabalhados junto aos visitantes, o que torna o seu potencial educativo muito grande. As colônias de Dinoponera spp. não apresentam uma rainha, mas sim uma operária fertilizada responsável pela reprodução, denominada “gamergate”. Uma vez que no caso da morte de uma
“gamergate” a sua substituição, em laboratório, não é tarefa fácil, o objetivo deste trabalho foi conhecer a longevidade das operárias (fase adulta) em colônias sem a “gamergate”, determinando assim o período máximo de manutenção da colônia. Em 12/1999, o Zôo de São Paulo recebeu do Museu de Zoologia da USP a doação de 5 colônias de D. australis e 4 de D. gigantea, originárias, respectivamente, de SP e MA. Todas chegaram sem a sua “gamergate”, mas abrigando operárias e eventuais ovos, larvas e pupas. Tentativas de fertilização de outras operárias não alcançaram êxito. Cada colônia foi mantida em um ninho de gesso com tampa de vidro, acondicionado em bandeja plástica. Como alimento, receberam larvas de Tenebrio molitor e de Alphitobius diaperinus e ninfas de Gryllus sp. Os dados de longevidade para três colônias de D. australis, totalizando 45 operárias, mostraram 55,5% das operárias vivas após 365 dias, 22,2% vivas após 730 dias e 13,3% vivas após 910 dias (longevidade média acima de 429 dias; 06 operárias ainda vivas). Considerandose apenas as operárias cuja data de nascimento era conhecida (07 operárias), a longevidade variou de 0,0 a mais de 919 dias, com média acima de 454 dias (02 operárias ainda vivas). Os dados de longevidade para duas colônias de D. gigantea, totalizando 53 operárias, mostraram 54,7% das operárias vivas após 365 dias, 18,9% vivas após 730 dias e 9,4% vivas após 931 dias (longevidade média acima de 425 dias; 04 operárias ainda vivas). Os dados indicam a possibilidade de manutenção das colônias, com razoável número de operárias, por mais de um ano.