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OCORRÊNCIA DO CARRAPATO Ixodes ioricatus EM GAMBÁS DE ORELHA PRETA (Didelphis marsupialis) NA FUNDAÇÃO PARQUE ZOOLÓGICO DE SÃO PAULO.
Autores
Rodrigo H.F. Teixeira1
e-mail: rhftzoo@hotmail.com
Marcelo B. Labruna2
Instituição
1. Fundação
Parque Zoológico de São Paulo, São Paulo, SP
2. Faculdade de
Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), Universidade de São
Paulo (USP), São Paulo, SP.
Os carrapatos
são artrópodes parasitos encontrados em praticamente todas
as regiões terrestres da Terra. A fauna mundial destes parasitos
está constituída por aproximadamente 825 espécies,
as quais são encontradas parasitando anfíbios, répteis,
aves e mamíferos. O hematofagismo faz dos carrapatos importantes
vetores de diversas enfermidades humanas e animais, sejam causadas por vírus,
bactérias, fungos, protozoários e helmintos. Além disso,
os carrapatos podem por si só, causar enfraquecimento e morte de
seus hospedeiros, através da espoliação sangüínea
e da inoculação de diversas toxinas nestes animais. De fevereiro
a maio de 2002, foram capturados 63 gambás da espécie Didelphis
marsupialis na área livre da Fundação Parque Zoológico
de São Paulo, município de São Paulo. Todos foram capturados
em armadilhas e submetidos a contenção química com
uso de Zoletil 5 mg\kg para identificação individual com tatuagem
em face interna da coxa e inspeção minuciosa em todo o corpo
à procura de carrapatos. Passado o efeito nestésico, os animais
eram liberados nos respectivos pontos de captura. Foram encontrados carrapatos
em 10 (15,6%) dos 63 gambás examinados. Um total de 26 carrapatos
foram colhidos e identificados. Todos eram adultos da espécie Ixodes
loricatus (8 machos, 18 fêmeas), dando uma infestação
média de 2,6 carrapatos por gambá infestado. Embora sete dos
63 gambás foram oriundos de recapturas, com intervalo médio
de 41 dias, nenhum carrapato foi encontrado nas recapturas. O estágio
adulto do carrapato I. loricatus tem sido relatado quase que exclusivamente
em didelphídeos, do México à Argentina. Por outro lado,
os estágios imaturos (larvas e ninfas) são encontrados principalmente
em pequenos roedores cricetídeos. Desta forma, o encontro de pelo
menos 15% de
D. marsupialis parasitados na área da Fundação Parque
Zoológico de São Paulo indica o estabelecimento deste carrapato
nesta área, onde possivelmente, utiliza-se de pequenos roedores para
alimentação dos estágios imaturos.