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O PAPEL DOS ZOOLÓGICOS CONTEMPORÂNEOS
VISÃO DA SOCIEDADE PAULISTA DE ZOOLÓGICOS (SPZ) - NOVEMBRO DE 2010
A existência de Zoológicos somente como instituições de promoção ao lazer e entretenimento das pessoas é um conceito ultrapassado, em face de uma nova postura global. Os zoológicos têm acumulado muitos conhecimentos nas diversas áreas de biologia, ecologia, medicina veterinária e bem estar de animais selvagens, formando e treinando numeroso grupo de profissionais e técnicos. Hoje, sob a convergência da Associação Mundial de Zoológicos e Aquários (WAZA), os zoológicos são entidades que desempenham papel relevante na conservação de espécies ameaçadas por meio de programas de educação ambiental, da conscientização humana sobre os riscos iminentes da extinção das espécies da nossa biodiversidade. Os animais de zoológicos são originados de programas coordenados de reprodução de espécies, e servem como reservas genéticas estratégicas e para repovoamento de hábitat. O hábito humano da apanha, caça e tráfico, e a contaminação e destruição de hábitat desequilibra a condição de sustentabilidade das espécies de forma perversa.
A visão extremista defendendo o fim dos zoológicos não resiste a uma análise sobre a sua importância nos tempos atuais. Os danos à natureza decorrentes da demanda de recursos naturais, das transformações climáticas e da perda de hábitat, comprometem o bem-estar e a sustentabilidade genética das espécies selvagens. Basta consultar a lista de espécies ameaçadas de extinção da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
Os zoológicos não tiram animais do meio ambiente; muitos deles aportam a centros de triagem e reabilitação públicos ou privados e aos zoológicos após períodos de maus tratos de pessoas que abastecem redes de tráfico, ou de outras que, após retê-los como animais de companhia, os entregam por que não têm condições técnicas condizentes com o seu bem estar.
AS AÇÕES DA REDE INTERNACIONAL DE ZOOLÓGICOS
Contemporaneamente, os zoológicos realizam uma das ações humanas não percebidas por muitos e intencionalmente ignoradas e combatidas por outros, na participação dos esforços de uma recuperação ambiental que seja compatível com a sobrevivência de espécies de animais selvagens e da sobrevivência do próprio homem. Eles geram, em conjunto com pesquisadores de outras instituições, conhecimentos que são aplicados diretamente na conservação da biodiversidade e no treinamento profissional para proteção das espécies selvagens na natureza ou cativeiro, com vistas à sustentabilidade genética de muitas espécies.
As equipes de profissionais dos zoológicos se dedicam à manter o bem estar animal por meio de programas de manejo apropriado à biologia dos animais, de medicina veterinária preventiva, nutrição e alimentação específicas e de enriquecimento comportamental animal, o que resulta na sobrevivência dos indivíduos por um período mais extenso do que na vida selvagem. Longe do estresse dos riscos representados pelos predadores, da competição pelos alimentos e das intempéries, têm sobrevida mais longa. As ações dos zoológicos contemporâneos fazem parte de um grande concerto, no qual tomam parte diversos zoológicos filiados à Sociedade Paulista de Zoológicos (SPZ), à Sociedade Brasileira de Zoológicos (SZB), à Associação Latino Americana de Parques Zoológicos e Aquários (ALPZA), e à WAZA. Registre-se que zoológicos devem atender a legislação ambiental dos municípios, estados e países, que se aplica também à entidades que mantenham espécies selvagens, como as denominadas de "santuários".
A grande quantidade de visitantes nos zoológicos cria uma oportunidade para voltarmos os olhos para os animais selvagens, seus hábitat e sua capacidade de sobrevivência frente ao desequilíbrio que causamos ao meio ambiente. Levar a conscientização aos adultos, educar ambientalmente nossas crianças e jovens e promover a instalação de territórios mais adequados aos animais, é hoje o trabalho de numerosas equipes de profissionais e cuidadores com treinamento específico que trabalham solidariamente nos zoológicos modernos. A manutenção desta atividade alimenta e mantém acesa a chama dos ideais da conservação da biodiversidade, como uma "Arca de Noé" dos tempos modernos. Os recursos que cada visitante leva aos zoológicos é convertida na manutenção da qualidade de vida dos animais, bem como permite o trabalho de pesquisa e proteção de numerosas espécies selvagens em seus remanescentes de hábitat.
Apesar dos ideais muitas vezes louváveis, algumas entidades dão ênfase aos interesses dos animais como indivíduos em detrimento da conservação de espécies ou de ecossistemas, duvidando das inúmeras ações realizadas para a preservação de espécies selvagens em zoológicos. Assim, para onde iriam os animais quando lhes destruímos a sua casa? Esta pergunta precisa ser considerada. Esta preocupação é objeto do trabalho coordenado de diversos zoológicos internacionais e brasileiros que se dedicam a este mister, com resultados catalogados na história da conservação das espécies (recuperação das populações do mico-leão-dourado, do cavalo de Przewalski, do bisão europeu, da manutenção genética da ararinha azul e de uma lista inumerável de programas de Comitês de Conservação de espécies sob coordenação das associações de zoológicos em diversas partes do globo, inclusive no Brasil, sob responsabilidade do ICMBio).
POSIÇÃO DA SPZ FRENTE À ATITUDES EXTREMISTAS DE CERTOS GRUPOS
Diversas instituições públicas e privadas, organizações não governamentais e tantas outras, como muitos "santuários" se beneficiam de toda a gama de conhecimentos e informações geradas nos zoológicos. Afinal, a grande maioria dos técnicos que dão suporte às suas ações foram treinadas em zoológicos. Querer menosprezar esta fonte, é uma atitude ingrata e deselegante que, certamente, esconde sentimentos distantes do equilíbrio que devemos tratar de coisas divinas como os animais.
Buscar denegrir a excelência dos trabalhos organizados hoje desenvolvidos nos zoológicos como uma das tentativas de fazer frente à acelerada pressão sobre o nosso meio ambiente nos parece uma atitude extremista, individualista e de propósitos equivocados perante as ações para conservação das espécies da fauna selvagem. Os zoológicos evolveram de um passado de aprendizado para uma atitude consciente frente à sua responsabilidade na conservação das espécies e do meio ambiente. A presença de visitantes é uma oportunidade ideal para conscientizar nossos cidadãos sobre a proteção devida às espécies da nossa fauna, e os Programas de Educação Ambiental dos zoológicos realizam esta ação de forma competente e abnegada. Não podemos ser cegos por conveniência e deixar de realizar o trabalho que nos compete enquanto nossos recursos naturais se tornam cada vez mais escassos. Somente a união dos esforços das entidades que trabalham pela conservação poderá deter ou reverter o grave quadro em que se encontra nosso planeta.
João Batista da Cruz, Médico Veterinário, PhD.
Presidente da Sociedade Paulista de Zoológicos
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