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Programa de Quarentena
A Sociedade Paulista de Zoológicos, reconhecendo o grande problema de não existir uma legislação que especifique a quarentena exigida no item III do art. 1º da Instrução Normativa 04, de 04 de março de 2002, que é exigida para o funcionamento de todos os zoológicos e, sabendo da urgência em se regulamentar a questão a fim de normatizar as fiscalizações de nossas Instituições, a SPZ enviou ao IBAMA/SP e ao IBAMA/Brasília sugestão de um Programa de Quarentena mínimo a ser executado pelos zoológicos. Para elaboração deste Programa foram consultados os Departamentos de Biologia e Veterinária além de consultores com comprovada experiência no assunto. Veja na integra as sugestões enviadas:
PROPOSTA DE UM "PROGRAMA DE QUARENTENA"
Um quarentenário
adequado para os animais recém chegados a um zoológico representa
uma parte importante de um programa bem estruturado de medicina veterinária
preventiva. Quando concebemos uma política de quarentena havemos
de considerar as inúmeras particularidades e a possibilidade, em
alguns casos especiais, de uma flexibilização, de forma que
seja possível o julgamento de um médico veterinário,
sobre um problema específico. A medicina preventiva deverá
estar direcionada no sentido de superar os fatores que alteram a homeostase
do organismo, minimizando o estresse, mantendo os animais em bom status
nutricional, evitando-se contato com microorganismos potencialmente patogênicos,
dentre outras medidas que venham a estimular o desequilíbrio do processo
saúde - doença. Portanto o emprego de um "setor destinado
a quarentena dos animais" (I.N. 04/2002) não deve ser visto
apenas como a construção de um prédio e sim como um
PROGRAMA amplo de medidas profiláticas, visando a preservação
da saúde dos animais, funcionários e visitantes de cada instituição.
Conhecer os recursos e o funcionamento de todas as fases de um zoológico
ou criadouro de animais ajuda na nossa atuação preventiva.
Podemos concluir que cabe a toda equipe técnica e ao médico
veterinário não só se preocupar com a clínica
ou mesmo cirurgia, mas com todos os fatores envolvidos, tais como, higienização,
estocagem dos alimentos, imunização, educação
sanitária dos funcionários, controle de zoonoses, de animais
sinantrópicos, destino do lixo e das excretas, dentre outras.
Visando minimizar a contaminação de animais sadios em um plantel
estabilizado de animais selvagens, pela entrada de novos indivíduos,
preconiza-se, então a instalação de um Programa abrangente
de "Quarentena" que inclua instalações e procedimentos
adequados, mão-de-obra capacitada, sensibilizada e constantemente
treinada, o que é o principal alvo desta proposta.
1. Das instalações
1) Área isolada com parede de alvenaria de no mínimo 2 metros
de altura não devendo ser ultrapassada pelas dimensões dos
recintos do quarentenário.
2) Estar adequada às normas vigentes da vigilância epidemiológica
e sanitária.
3) Quanto às construções, paredes e pisos devem apresentar
revestimento de fácil limpeza e higienização, com sistema
de drenagem e esgoto independente, além de pontos de energia elétrica.
4) Em cada recinto deve conter abrigos, comedouros, bebedouros, poleiros
removíveis, solários, área de segurança compatível
com as espécies alojadas e equipamentos de higiene exclusivos.
5) Apresentar área específica para a limpeza e desinfecção
dos utensílios e materiais de contenção.
6) Possuir equipamentos próprios (de uso exclusivo) no interior do
quarentenário para recebimento, triagem, exame clínico, pequenos
procedimentos (mesa clínica), biometria e coleta de material biológico.
7) Possuir lixeiras, utensílios e materiais de contenção
e segurança com utilização exclusiva para o setor.
2. Da mão-de-obra
8) Os funcionários deverão possuir treinamento especializado.
9) Os funcionários, desde sua admissão, deverão possuir
tratamento de pré-exposição para raiva e vacina para
tétano, além de procedimentos para outras zoonoses de importância
epidemiológica.
10) É obrigatório utilização de uniformes, botas
de borracha, luvas, máscara e protetor ocular (Equipamentos de Proteção
Individual - EPI's) durante os procedimentos no setor.
11) O funcionário deve ser restrito ao setor quarentenário.
Quando for justificável o seu trabalho nos recintos de exposição,
o setor quarentenário deve ser tratado por último.
3. Dos
procedimentos
12) A remoção dos dejetos e dos restos alimentares deve ser
realizada diariamente, em cada recinto, com a limpeza e desinfecção
das instalações, bebedouros e comedouros.
13) Quando houver a retirada de um animal para o posterior alojamento de
outro, deve-se adotar uma desinfecção mais rigorosa, com a
retirada dos dejetos, incluindo-se a raspagem, o descarte dos abrigos e
poleiros, o uso de desinfetantes químicos adequados em pisos, paredes,
cochos e bebedouros, além da esterilização com vassoura
de fogo.
14) Os resíduos sólidos retirados diariamente deverão
ser acondicionados em sacos plásticos destinados à coleta
de lixo hospitalar e alojados em abrigo para resíduos sólidos.
15) Deve ser realizado um exame clínico completo na entrada e na
saída de cada animal, além de exames complementares.
16) A Instituição deverá possuir um Plano de controle
de animais sinantrópicos e vetores coordenado pelo seu corpo técnico.
17) O zoológico deverá manter banco de dados epidemiológicos
das doenças de ocorrência em seu plantel.
18) Deve realizar o monitoramento diário do manejo em geral, comportamento,
adaptação e da alimentação de todos os animais
silvestres em quarentena.
4- Dos prazos:
1) O período
de quarentena para qualquer grupo de animais deverá ser de, no mínimo
30 dias.
2) O período de quarentena só será considerado finalizado
quando dois exames parasitológicos de rotina (fezes) com intervalo
de 15 dias forem negativos.
3) No caso de entrada de um novo animal no mesmo espaço da quarentena,
o período mínimo de 30 dias haverá de ser retomado
para todos os animais que ocupam o mesmo ambiente.
4) Casos especiais deverão ser considerados e analisados pelo médico
veterinário responsável pelo zoológico.
5) Os registros dos tempos e dos exames de rotina realizados deverão
estar disponíveis no zoológico em fichas próprias.
5- Sugestão
de Exames Diagnósticos por Grupo Animal:
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Grupo
de animal
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Exames
requeridos
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Exames
sugeridos
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| Primatas | Exame de fezes direto, por flutuação e sedimentação; hemograma e bioquímica; urinálise; esfregaço sangüíneo para pesquisa de hemoparasitas; teste de tuberculina (ter pelo menos dois testes negativos); avaliação de ectoparasitas; cultura de fezes para Salmonella spp, Shighela sp, Yersinia sp, Campylobacter sp. | Radiografia do tórax |
| Ungulados | Exame de fezes direto, por flutuação e sedimentação; teste de tuberculina; hemograma e bioquímica; urinálise; avaliação de ectoparasitas; esfregaço sangüíneo para pesquisa de hemoparasitas. | Exames sorológicos: Leptospirose e brucelose. |
| Pequenos mamíferos e carnívoros | Exame de fezes direto, por flutuação e sedimentação; hemograma e bioquímica; urinálise; avaliação de ectoparasitas; Esfregaço sangüíneo para pesquisa de hemoparasitas. | Exames sorológicos: Toxoplasmose e viroses consideradas importantes na área geográfica. |
| Aves | Exame de fezes direto, por flutuação e sedimentação. Avaliação de ectoparasitas. Esfregaço sangüíneo para pesquisa de hemoparasitas. | Exame sorológico para clamidiose (no caso de positivo realizar cultura - traquéia e fezes).Hemograma e bioquímica.Cultura fecal para Salmonela. |
| Répteis/Anfíbios | Exame de fezes direto, por flutuação e sedimentação. Avaliação de ectoparasitas. Esfregaço sangüíneo para pesquisa de hemoparasitas. | Hemograma e bioquímica.Cultura fecal para Salmonela. |
| Peixes pequenos | Avaliação clínica: Observação e análise das condições das barbatanas, ritmo respiratório, coloração, claridade dos olhos e comportamento geral. Esfregaço sangüíneo para pesquisa de hemoparasitas. |
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| Peixes grandes | Raspado de pele, biópsia de barbatana e de brânquias. Esfregaço sangüíneo para pesquisa de hemoparasitas.Observação: Os exames podem ser amostrais. |
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Tabela adaptada de Miller (1999) e Whitaker (1999).
6. Bibliografia Consultada:
Correa, S.H.R; Passos, E.C. Wild animals and public health. In: Fowler,
M.E.; Cubas, Z.S. Biology, medicine, and surgery of South American Wild
Animals. Iowa: Iowa State University Press, p .493-499, 2001.
Delaney-Johnson, C.A. Reptile zoonoses and threats to public Health. In: Mader, R. Reptile medicine and surgery. Philadelphia: Saunders, p. 20-33, 1996.
Hinshaw, K.C; Amand, W.B; Tinkelman, C.L. Preventive medicine. In: Kleiman, D.G.; Allen, M.E.; Thompson, K.V.; Lumpkin, S. Wild mammals in captive. Chicago: University of Chicago, p. 16-24, 1996.
Leser, W; Barbosa, V; Baruzzi, R.G; Ribeiro, M.B.D; Franco, L.J. Elementos de epidemiologia geral. Rio de Janeiro: Atheneu, 1988. 180 p.
Marcopito, L.F.; Santos, F.R.G; Yunis, C. Epidemiologia geral. Rio de Janeiro: Atheneu, 1992. 211 p.
Miller, R.E. Quarantine:
A necessity for zoo and aquarium animals. In: Fowler, M.E. Zoo & wild
animal medicine: Current therapy. 4 ed. Philadelphia: Saunders, p. 13-17,
1999.
Silberman, M.S. Animal and human welfare: Occupational in wildlife facilities.
In: Fowler, M.E. Zoo & wild animal medicine: Current therapy 3. 3
ed., p. 57-63, 1993.
Smith, G.R; Hearn, J.P. Reproduction and disease in captive and wild animals. Symposia of the Zoological Society of London, n. 60, p. 208, 1988.
Thoen, C.O. Tuberculosis and other Mycobacterial diseases in captive wild animals. In: Fowler, M.E. Zoo & wild animal medicine: Current therapy 3. 3 ed., p. 45-49, 1993.
Whitaker, B.R. Preventive medicine programs for fish. In: Fowler, M.E. Zoo & wild animal medicine: Current therapy 4. 4. ed., Philadelphia: Saunders, p. 163-181, 1999.